2010 – Project Dragons (Brazil/Argentina/Japan)

DRAGONS TRIO JPG

Project Dragons – 2010 ~ 2015

(Gabriel Fox: Guitarra, baixo, bateria, teclado, voz; produção – Alex Danger: voz)

(Ex-integrantes: Hideki Ito, Jack Santiago, Diego Tolkki, Gia, Gonza, Rukia, Megu, Ivan Silva, Walds Rodriguez, Sergio Banna, Tiago Gimenes, Mateus Gurjão)

No finalzinho de 2009 com uma caída no ritmo de shows e ensaios da Thelema decidi reunir o Ivan [ver Flo.oD Animeband, baterista], Hideki Ito [ver Flo.oD Animeband, voz] e Thiago [ver Flo.oD Animeband, baixo] para regravarmos/registrarmos ao vivo em estúdio alguns dos arranjos que tínhamos feito para nossa antiga banda e nunca tínhamos apresentado ao vivo ou gravado em ensaio. Tudo seria colocado mensalmente na internet e dentro de meio ano teríamos uma quantidade de 20 músicas gravadas e publicadas da forma mais crua possível, tudo gravado ao vivo e sem cortes.

A primeira complicação veio logo na primeira gravação, que o baixista simplesmente não apareceu. Gravamos mesmo assim e posteriormente em casa coloquei eu mesmo o baixo de três músicas. E assim seguimos por seis meses, de Dezembro de 2009 a Maio de 2010. Em Janeiro oficializamos o lançamento da banda, e com a entrada do Alex na voz neste meio tempo para interpretar as músicas em português e inglês, o baterista Ivan decide deixar o posto para dedicar-se mais a outras áreas de interesse. Já tínhamos uma gravação agendada e um tanto em cima da hora, o baterista Renato Graccia (Viper/BlueSeeds) gravou ao vivo em estúdio comigo e com o Alex dois covers do Golpe de Estado. Vale lembrar que até aqui fazíamos todas as gravações ao vivo e sem ensaio, e esta foi sem dúvida uma das mais memoráveis.

Deste momento em diante, a banda se resumia a dois cantores e eu. Eu podia ter simplesmente fechado o ciclo mas tinha planos maiores, com tanta repercussão que vinha surgindo com os vídeos achei que era sensato investir em um disco de músicas autorais. Ainda não sei ao certo se foi uma boa ideia, acredito que conheci e interagi com muita gente boa, músicos muito melhores que eu, e por outro lado enxergo que posso ter criado um ímã de interesseiros muito potente. Não creio que valha nomear quem está em cada grupo, mas o fato é que uns enxergaram no projeto uma possibilidade de criar algo novo, dinâmico, quase sem custo. Outros viram apenas a chance de montar sua própria vitrine pra se mostrar pros amigos, pra gravar só quando queriam, o que queriam e até ideias piores. Planejamos para 6 meses a gravação de um disco de covers, com um custo reduzidíssimo para promover a banda ainda mais. Neste período conheci o Diego Suarez, da Argentina, que de admirador da banda virou um dos vocalistas e um amigo querido. Ele trouxe mais músicos de Buenos Aires que acrescentaram muito na banda, gravando vozes para este primeiro disco de covers e já ajudando nos planos de um segundo disco, melhor produzido.

Este primeiro disco teve as baterias gravadas ao vivo no estúdio que eu trabalhava, bem como as vozes. As guitarras, baixos e teclados gravei em casa e lançamos tudo em 2011. Pra este mesmo disco, já mostrando que trabalharíamos com canções autorais, colocamos uma versão prévia da música Não Haverá Outro Amanhã, do cantor Jack Santiago (ver Thelema, Harppia) e sua versão brasileira de Desert Plains, do Judas Priest. Gastamos cem vezes menos para fazer este disco do que gastaríamos por vias tradicionais, e todo o trabalho que deu de produção, gravação e tudo o mais me provaram que poderíamos melhorar ainda mais e também reduzir ainda mais os custos. O lance é: gasta-se muito com burocracias, falastrões e produtores que investem mais no nome que nos ouvidos. Fizemos um segundo disco de covers para testar nossa teoria e dito e feito: investimos muito mais tempo do que dinheiro na produção e confecção dele de maneira independente, e independente MESMO. Não tem gravadora, terceiros investidores, produtores nem nada. Até mesmo músicas que não entraram para o primeiro disco foram reaproveitadas e regravadas para este segundo, que esgotou-se razoavelmente rápido pelas vendas nos dois shows que fizemos e pelo nosso antigo site. Pude convidar o Silas, amicíssimo de bandas e roubadas passadas, para cantar dois dos temas que mais curtimos fazer em outros projetos e hoje são duas das músicas mais curtidas do canal do Dragons. O disco em questão abre com este som:

Para esta época de gravações e shows, as baterias foram feitas nos dois discos pelo Mateus Gurjão, que conheci no estúdio que trabalhei, e pelo Tiago Gimenes (ver Thelema). Cuidei das guitarras, violões, baixos e teclados. Para os shows, o Sergio Banna ofereceu-se para fazer o baixo (ele odiava a maioria das músicas, mas sempre quebrávamos os galhos musicais um do outro. Lembro que queria quebrar ele de porrada quando me fez gravar Admirável Gado Novo mas meia hora depois de ouvir o resultado já estávamos bêbados contando piadas) e cortamos os teclados. Fiz audições com vários baixistas, o último fez o favor de pedir um teste as oito da manhã de uma Quarta-feira e não compareceu. Sinal de que era preferível torturar o Banna do que esperar uma boa alma com seriedade aparecer. Aliás, sinal dos tempos: coisa rara alguém assim hoje em dia!

Em 2012 iniciei com o Banna e o vocalista Waldemar (que substituiu o Alex para os shows e algumas das gravações) um projeto de disco autoral da Dragons, que foi parado e reiniciado diversas vezes por estes problemas de integrantes indo e vindo, atrasando gravações e outras. Alguns pontos curiosos foram como a participação do Jack Santiago com os temas novos dele, os quais ofereci até mesmo bancar as gravações em um estúdio da preferência dele, e o mesmo declarou-se musicalmente aposentado semanas depois. Alguns outros meses se passaram e em outra cidade ele já tinha outra banda, outros shows…e se aposentou de novo! Houve a participação confirmada de uma das maiores vozes do metal latino, com passagens em bandas argentinas bem expressivas, que mandaram as guias de suas participações e passaram meses enrolando, pedindo pra ajeitar minúcias na gravação instrumental que não influenciariam em absolutamente NADA na voz. Neste meio tempo, já em 2013, os bateristas sumiram do mapa por conta de emprego, família, escola e outros compromissos. Nunca entendi muito bem como isso funciona. Sempre toquei e sempre trabalhei e estudei. Meu primeiro emprego formal foi com 14 anos, com autorização judicial e o escambau, ainda hoje trabalho e estudo, e nunca prometi que participaria de uma gravação, show ou o que fosse e simplesmente sumi. Mas cada um tem suas prioridades e honras pra zelar, o que não me diz respeito. Com o falecimento do Banna em 2013, a parada do Waldemar, o sumiço do Hideki e dos bateristas, “eu virei o Project Dragons” e fui convidando amigos de outras bandas para gravar poucas coisas que deixassem a ideia do projeto viva: gravações práticas, rápidas, baratas e com qualidade. No estilo e na pegada que achássemos melhor.

Me forcei a aprender bateria neste período e hoje disfarço razoavelmente bem no instrumento. Em 2014 com o reencontro quase forçado de alguns membros no show em homenagem ao Banna, por iniciativa do Alex a formação mais conhecida da Dragons decidiu se juntar para terminar o disco de autorais e voltar com os covers genéricos. A alegria durou pouco, afinal, em dois meses o baterista já tinha desaparecido novamente e a banda era eu, Alex e Hideki. Em Novembro de 2014 foi a vez do Hideki desaparecer novamente, sem maiores explicações, apenas “com tempo apertado para o trabalho com a banda e as composições originais”. Acredito já ter deixado claro minha opinião a respeito desse tipo de escusa quando se assume um compromisso, mas opiniões a parte, gente que se vai sem brigas ou falsos elogios não prejudicam tanto quanto deveriam. O CD teria temas em português, espanhol, japonês e inglês, pois eram os quatro idiomas que a banda explorou nos 4 anos ativos. Resumidos a Alex na voz e eu ‘no resto’, lançamos o single CORRUPTION com 5 músicas em português e inglês.
Tínhamos o plano de manter o CD, mas sem datas e prazos definidos. Convenhamos que resumir para duas pessoas o trabalho que antes chegou a ser de 15 é uma tortura que não precisamos dar pra nossas vidas. Ao ouvir o resultado do registro de nossas músicas autorais tenho a certeza que apesar de carregar a organização das coisas nas costas [e algumas vezes ter escutado pejorativamente que sou o “dono” da banda, o que não deixa de ser verdade, mas muito grosseiro da parte de quem não teve 1/3 do trabalho exigido pra montar toda a estrutura de gravação, achar os estúdios e demais recursos que foram necessários na jornada] vale a pena dar o sangue quando você acredita na ideia.

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Hoje a página/canal da banda me gera um retorno muito positivo por parte de amigos, alunos, gente que curte a banda pelo canal ou pelo Facebook e outros, e felizmente, aprovação e apreço diário, são bens preciosíssimos. O projeto foi oficialmente congelado em 2014 porque, na minha opinião, perdeu todas as características que devia ter desde o princípio. Muitas formações, muitos improvisos, e muitas outras coisas que prejudicam a estrutura de um grupo musical tornaram o processo insustentável a longo prazo. Foram 5 anos que renderam muito, apesar de todos os problemas no percurso. Há um CD e meio de covers prontos, que eu pretendo ainda lançar algum dia, provavelmente não sob a alcunha de Project Dragons.

No final de 2016, justamente devido a todo esse retorno, retomo o projeto num ritmo mais lento, com novos cantores que integram outros projetos e bandas que toquei, integrei ou produzi.

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